Private Equity: O Caminho para Investir em Empresas Não Listadas

Private Equity: O Caminho para Investir em Empresas Não Listadas

Em um cenário em que a bolsa de valores cobre uma parcela muito pequena do universo corporativo brasileiro, o private equity surge como alternativa robusta para acessar empresas promissoras e detê-las em seu estágio de maior potencial.

Este artigo explora de forma prática e inspiradora como funciona esse tipo de investimento, seus benefícios e o papel transformador que pode exercer em negócios fora do mercado público.

Contexto atual e oportunidades

O Brasil possui cerca de 450 empresas listadas na B3, contrapostas a mais de 8 milhões de empresas de capital fechado. Nos últimos anos, observou-se um declínio no número de listagens, com aproximadamente 358 companhias em 2025, retraindo-se ao nível de 2021.

Várias gigantes, como Gol e BRF, planejam ou já praticaram delisting estratégico, enquanto o financiamento por dívida emite cada vez mais debêntures e CRIs, reduzindo o incentivo ao IPO.

Ao mesmo tempo, países com cultura de mercado acionário forte, como os EUA, contam com mais de 60% da população investindo em ações – um contraste evidente com o perfil brasileiro.

Conceito de Private Equity

O private equity refere-se ao investimento em participações societárias de empresas não listadas, por meio de fundos fechados e de longo prazo. Diferente das ações em bolsa, não há negociação contínua em mercado secundário organizado e a governança é privada, porém contratualmente rigorosa.

Enquanto o venture capital concentra-se em startups em estágio inicial, o private equity foca em companhias já estabelecidas, com receita recorrente e histórico operacional, buscando expansão, profissionalização ou reestruturação.

Essa modalidade caracteriza-se pelo capital de longo prazo que impulsona o desempenho, com forte participação do investidor na estratégia e na gestão.

Como funciona um investimento de Private Equity

O processo envolve várias etapas fundamentais:

  • Captação de recursos: criação de fundos estruturados que recebem aportes de investidores qualificáveis, com prazo de 8 a 10 anos.
  • Due diligence: análise financeira, contábil, jurídica, operacional e ESG para compreender riscos e oportunidades.
  • Aquisição da participação: compra de participação minoritária ou majoritária, estabelecendo cláusulas de governança, metas e direitos de veto.
  • Gestão ativa: implementação de melhorias operacionais, profissionalização de conselhos, expansão de mercado e iniciativas de M&A.
  • Saída planejada: desinvestimento por meio de venda estratégica, IPO ou venda para outro fundo, visando capturar valorização.

Cada fase demanda planejamento estruturado e trabalho colaborativo entre gestores do fundo e equipe executiva da empresa, garantindo o avanço consistente do negócio.

Por que focar em empresas não listadas

A maior parte da economia real no Brasil está fora da bolsa. Pequenas e médias empresas—frequentemente familiares—dependem de financiamento alternativo devido ao alto custo de abertura de capital e à complexidade de manutenção de companhia aberta.

O private equity oferece não só o capital, mas também conhecimento estratégico para profissionalizar processos, implementar controles e acelerar o crescimento, especialmente em nichos com alta fragmentação.

Papel no ecossistema de PMEs

Fundos de private equity e estruturas como search funds têm se especializado em apoiar PMEs com potencial de expansão e necessidade de sucessão familiar.

  • Capital de crescimento: expansão geográfica, inovação tecnológica e acesso a novos canais.
  • Governança aprimorada: conselhos de administração e indicadores de performance.
  • Planejamento de sucessão: soluções para transição de empresas familiares entre gerações.

Esse movimento tem consolidador setores fragmentados e elevado o nível de competição, gerando efeitos positivos na economia local e na geração de empregos.

Vantagens para investidores

Para quem busca diversificação e retorno ajustado ao risco, o private equity apresenta benefícios claros:

  • Retorno potencial superior: históricos mostram que empresas privadas bem geridas superam as médias da bolsa no longo prazo.
  • Baixa correlação com oscilações diárias do mercado público, reduzindo volatilidade na carteira.
  • Participação ativa na criação de valor, indo além da valorização de preços.

Esses fatores tornam o private equity uma alternativa estratégica para investidores que buscam solidez e valorização sustentável, conectando capital a empresas com potencial de transformação.

Conclusão e próximos passos

Private equity representa uma via poderosa para acessar oportunidades fora do mercado público, ao mesmo tempo em que promove o desenvolvimento de empresas privadas e fortalece a economia real.

Para quem deseja explorar este universo, recomendamos buscar gestores renomados, avaliar fundos com histórico comprovado e considerar a composição de carteira que contemple esse tipo de ativo.

Ao entender cada etapa do investimento e alinhar expectativas de prazo e retorno, o investidor estará preparado para aproveitar o potencial de crescimento que as empresas não listadas oferecem.

Por Matheus Moraes

Matheus Moraes é redator especializado em finanças pessoais no tudolivre.org. Com uma abordagem acessível, desenvolve conteúdos sobre orçamento, metas financeiras e administração eficiente do dinheiro.