A Geração Z chega ao mercado financeiro com um poder de consumo e investimento sem precedentes. Encarando desafios de emprego, educação financeira e dívidas, esses jovens redefinem a forma como o dinheiro é conquistado e gerido.
Neste artigo, exploramos as transformações provocadas por essa coorte nas relações monetárias, apresentando sugestões e caminhos práticos para quem deseja alinhar seus hábitos à nova realidade digital.
Quem é a Geração Z e por que ela importa para as finanças
Definida como nascidos entre 1995 e 2010, a Geração Z já representa cerca de 30% da população global e detém expectativas financeiras grandiosas para as próximas décadas.
Estima-se que a renda global deve atingir US$ 36 trilhões nos próximos cinco anos, chegando a US$ 74 trilhões até 2040. Os gastos dessa geração devem saltar de US$ 2,7 trilhões em 2024 para US$ 12,6 trilhões em 2030.
Suas características de consumo revelam:
- forte inclinação para sustentabilidade, priorizando marcas com propósito;
- insularidade digital, passando muito tempo em redes fechadas;
- preferência por produtos tangíveis em vez de experiências.
Essa combinação de poder econômico e valores próprios faz da Geração Z o motor de tendências nos setores de varejo, serviços financeiros e investimentos sustentáveis.
Situação financeira e desafios estruturais
Apesar das projeções otimistas, muitos jovens enfrentam barreiras reais para alcançar a independência financeira. O paradoxo entre alto nível de formação e baixa remuneração inicial se reflete no aumento do número de Gen Z vivendo com os pais e lutando contra custos crescentes.
O mercado de trabalho apresenta crescimento salarial de 8% no último ano para essa faixa etária, porém 52% afirmam que isso não é suficiente para o estilo de vida desejado, citando o alto custo de vida como principal obstáculo.
- Desemprego entre novos entrantes subiu 9% em fevereiro de 2025;
- Aquisição de benefício de desemprego cresceu 32% no mesmo período;
- Em Portugal, 54% vivem de salário em salário, sem folga financeira.
Morando mais tempo com os pais, muitos atrasam investimentos em moradia e até educação continuada. A consequência direta é o consumo postergado de bens duráveis e experiências, impactando setores como turismo e mercado imobiliário.
Em termos de poupança, o índice médias da Gen Z mostra que gastam quase o dobro do que têm em reservas, com muitas famílias reduzindo gastos com lazer para equilibrar as contas.
Uma pesquisa no Brasil aponta que 47% dos jovens dessa geração não controlam suas finanças e apenas 52% conseguem guardar algum valor, geralmente para imprevistos ou objetivos de curto prazo.
Quando o assunto é aposentadoria, menos de 10% investem pensando no longo prazo, ainda que existam evidências de que planos patrocinados pelas empresas podem colocá-los em vantagem em relação às gerações anteriores.
Tecnologia como eixo central: bancos digitais, fintechs e meios de pagamento
A digitalização transformou radicalmente os hábitos financeiros da Geração Z. Muitos chegaram a nunca ter usado um caixa eletrônico ou a visitar uma agência física, preferindo realizar todas as operações pelo celular.
Essa desmaterialização do dinheiro nas carteiras digitais traz conveniência, mas também exige disciplina redobrada para evitar gastos impulsivos. As fintechs, apps de pagamento e wallets tornaram-se centrais na rotina de pagamento, investimento e planejamento.
Veja a preferência da Geração Z por meio de pagamento em 2025:
Além dos pagamentos, o uso de apps de bancos e planejamento financeiro cresce exponencialmente. No Brasil, 80% afirmam que consultar o saldo pelo aplicativo contribui para um melhor controle dos gastos.
A busca por conteúdo financeiro também alcança níveis recordes. Cerca de 81% da Geração Z demonstram interesse em aprimorar seu conhecimento, consumindo materiais em YouTube (55%), Instagram, TikTok e podcasts dedicados ao tema.
Como a Geração Z pode fortalecer sua saúde financeira
Para aproveitar todo o potencial econômico e minimizar riscos, seguem estratégias fundamentais:
- Adotar hábitos de controle de despesas diárias, registrando entradas e saídas em apps ou planilhas;
- Reservar uma parte da renda para fundo de emergência, evitando uso excessivo do crédito;
- Equilibrar o consumo imediato com investimentos para objetivos de longo prazo e aposentadoria;
- Pesquisar e comparar produtos financeiros digitais, buscando menores tarifas e melhores rendimentos;
- Consumir conteúdo de educação financeira de fontes confiáveis, incluindo redes sociais e plataformas especializadas.
Ao integrar a tecnologia como aliada, a Geração Z pode não só otimizar seu dia a dia, mas também construir uma jornada de liberdade financeira, alinhando seus valores — como sustentabilidade — às escolhas de consumo e investimento.
Em um mundo cada vez mais conectado, entender o comportamento e as demandas da Geração Z é essencial para instituições financeiras, empresas e educadores que desejam oferecer soluções relevantes. A combinação de tecnologia avançada e educação financeira acessível será o caminho para consolidar o futuro econômico dessa geração promissora.
Com iniciativas corretas, o protagonismo da Geração Z pode transformar o cenário global, gerando mais inclusão, inovação e segurança financeira para todos.