A era digital trouxe inúmeras oportunidades para o setor financeiro, mas também elevou exponencialmente os riscos de segurança. Para lidar com esse cenário desafiador, instituições devem adotar práticas de cyber-resiliência que vão além da simples prevenção.
Neste artigo, exploramos o conceito de resiliência cibernética, seus pilares, benefícios e os principais marcos regulatórios que moldam essa abordagem, com foco em DORA e na regulamentação brasileira.
Conceitos Fundamentais
A capacidade de se preparar e recuperar refere-se ao conjunto de ações que garantem a prontidão de uma organização para incidentes inesperados.
Diferentemente da cibersegurança tradicional, que enfatiza a prevenção de ataques e proteção de sistemas, a cyber-resiliência assume que falhas acontecerão e promove uma resposta integrada com continuidade de negócios.
Pilares Estruturais da Cyber-Resiliência
Para alcançar níveis elevados de resiliência, as instituições financeiras devem fortalecer quatro pilares essenciais:
- Preparação e avaliação de riscos constantes: estabelecimento de protocolos e simulações regulares para identificar vulnerabilidades.
- Resposta ágil a incidentes cibernéticos: definição de processos claros de contenção, comunicação e mitigação de danos.
- Recuperação rápida de operações críticas: planos de continuidade que assegurem o restabelecimento imediato de sistemas vitais.
- Adaptação e aprendizagem após cada incidente: revisão de processos e fortalecimento contínuo da infraestrutura.
Importância para o Setor Financeiro
O segmento financeiro está sob ataque constante, pois concentra grandes volumes de capital e dados sensíveis. Um único incidente pode interromper operações e abalar a confiança de clientes e investidores.
Com ataques cibernéticos crescem em frequência, é fundamental que instituições se antecipem, implementando estratégias de resposta eficazes para reduzir impactos.
A adoção de cyber-resiliência também fortalece a imagem da empresa no mercado, demonstrando comprometimento com a segurança e continuidade dos serviços.
Benefícios Estratégicos
Investir em cyber-resiliência traz vantagens concretas e duradouras:
- continuidade operacional mesmo após incidentes, reduzindo tempos de inatividade.
- redução de perdas financeiras e operacionais por meio de respostas mais ágeis.
- proteção da reputação e confiança dos clientes, fortalecendo relacionamentos.
- capacidade de resposta rápida a emergências, com processos testados periodicamente.
Marco Regulatório: DORA
A Lei de Resiliência Operacional Digital (DORA) entrou em vigor em janeiro de 2023 e passa a valer integralmente em 2025 para instituições financeiras da União Europeia.
O regulamento busca garantir que o setor financeiro permaneça resiliente durante perturbações graves, estabelecendo padrões claros e unificados.
Componentes-chave da implementação incluem:
- gestão de risco integrada a todo ciclo, desde identificação até recuperação.
- notificação imediata de incidentes significativos às autoridades competentes.
- testes de penetração e simulações periódicas para validar defesas.
- gestão de riscos de terceiros e fornecedores, assegurando conformidade dos parceiros.
- compartilhamento de dados sobre ameaças entre instituições, promovendo defesa coletiva.
Regulamentação Brasileira
Em setembro de 2025, o Banco Central do Brasil instituiu a Resolução BCB 498/2025, que torna obrigatória a obrigatoriedade de contratação de seguro cibernético para provedores de tecnologia conectados ao sistema financeiro.
A norma também define exigências mínimas à política de segurança cibernética, incluindo gestão de certificados digitais, integração segura de sistemas, inteligência cibernética, rastreabilidade de operações, testes de intrusão, controles de acesso, proteção de rede e aplicação de correções.
Levantamentos mostram que menos de 40% das instituições financeiras brasileiras possuem seguro específico para riscos cibernéticos, destacando a necessidade de avanços no setor.
Desafios na Implementação
A complexidade tecnológica exige integração avançada entre ferramentas de monitoramento, prevenção e recuperação, implicando investimentos robustos.
Além disso, a capacitação de equipes em resposta a incidentes é crucial: treinamentos contínuos garantem que profissionais ajam com precisão e rapidez.
Criar uma cultura organizacional alinhada aos protocolos de segurança reduz erros humanos e fortalece toda a estrutura de defesa.
Conclusão e Recomendações
Em um ambiente de ameaças sofisticadas, a cyber-resiliência torna-se imperativa para a continuidade e a confiança no setor financeiro.
Instituições devem realizar avaliações regulares de risco e testes de penetração liderados, além de desenvolver e atualizar continuamente seus planos de resposta a incidentes.
É essencial garantir conformidade com exigências regulatórias internacionais e nacionais, ao mesmo tempo em que se investe em treinamentos para construir uma cultura organizacional de segurança.
Ao integrar prevenção, resposta e aprendizado, empresas estarán mais preparadas para enfrentar crises e assegurar a confiança e continuidade dos negócios.