Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Agrícolas (CRA): Como Funcionam?

Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Agrícolas (CRA): Como Funcionam?

Os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e do Agronegócio (CRA) são instrumentos financeiros que vêm ganhando espaço no mercado de renda fixa brasileiro. Com oferta crescente e características atrativas, esses títulos permitem ao investidor diversificar sua carteira e obter retornos potencialmente superiores aos de outras aplicações tradicionais.

Ao longo deste artigo, você entenderá em profundidade desde os conceitos básicos até as etapas de emissão, as vantagens, os riscos e as modalidades de remuneração. Vamos lá!

O que são CRI e CRA?

Ambos são títulos de crédito lastreados em recebíveis, mas voltados a setores distintos:

  • Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI): é um título de renda fixa lastreado em créditos imobiliários, que pode envolver contratos de financiamento ou de aluguel.
  • Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA): é um título similar ao CRI, porém baseado em recebíveis originados de atividades agrícolas ou pecuárias.

Em outras palavras, os recursos captados são direcionados exclusivamente para financiar projetos imobiliários ou do agronegócio, e o investidor adquire o direito de receber pagamentos futuros conforme o fluxo de caixa desses projetos.

Processo de Emissão: Passo a Passo

A emissão de CRI e CRA envolve entidades especializadas e segue um fluxo estruturado para garantir segurança e transparência:

  • Originação dos recebíveis: análise da empresa originadora, viabilidade do projeto e qualidade dos contratos.
  • Estruturação do título: definição de séries, classes, prazos e mecanismos de garantia.
  • Registro e central depositária: o CETIP faz o registro e a custódia dos títulos.
  • Oferta ao mercado: oferta pública ou privada coordenada pela securitizadora.
  • Liquidação: recursos liberados à empresa originadora e certificados disponibilizados ao investidor.

No regime fiduciário, os recebíveis ficam separados do patrimônio da securitizadora, obedecendo a critérios que evitam qualquer ação de credores contra esses ativos.

Principais Vantagens para Investidores

Ao aplicar em CRI ou CRA, você pode se beneficiar de vantagens exclusivas, como:

  • Isenção de Imposto de Renda e IOF para pessoas físicas, aumentando a rentabilidade líquida.
  • Rentabilidade potencialmente superior a outras opções de renda fixa, devido às garantias reais e juros atrativos.
  • Diversificação de carteira sem aquisição direta de imóveis ou propriedades rurais.
  • Garantias robustas, como alienação fiduciária de imóveis e cessão de direitos, oferecendo maior segurança ao investimento.

Esses diferenciais tornam os CRIs e CRAs ideais para perfis moderados a arrojados que buscam alternativas além de títulos do governo e debêntures corporativas.

Tipos de Remuneração

Existem três modalidades principais de remuneração, cada uma adequada a diferentes cenários macroeconômicos e estratégias de carteira:

A escolha entre essas opções depende do seu horizonte de investimento, expectativa de juros e tolerância a flutuações de mercado.

Riscos e Liquidez

Como todo investimento, há riscos a considerar:

Risco de crédito: possibilidade de inadimplência por parte dos emissores dos recebíveis.

Risco de liquidez: esses títulos têm liquidez limitada e volatilidade no preço no mercado secundário, exigindo planejamento de prazos.

Para quem precisa resgatar antes do vencimento, é preciso vender o título a outro investidor, muitas vezes com deságio, alterando o rendimento originalmente contratado.

CRIs Pulverizados e Corporativos

Dentro da categoria dos CRIs, existem subtipos que diluem ou concentram riscos:

CRI Pulverizado: envolve diversos mutuários ou contratos, reduzindo o impacto de uma eventual inadimplência individual.

CRI Corporativo: lastreado em dívidas de grandes empresas do setor imobiliário, com prazo e risco definidos conforme a saúde financeira da companhia.

Dicas Práticas para Investir

Para quem pretende incluir CRIs e CRAs na carteira, seguem recomendações essenciais:

  • Analise o rating e a reputação da securitizadora responsável.
  • Avalie as garantias oferecidas, como alienação fiduciária ou seguradoras contratadas.
  • Verifique a data de vencimento e planeje o prazo em função dos seus objetivos financeiros.
  • Considere a composição de um mix de prefixados e pós-fixados para equilibrar riscos.

Por fim, mantenha-se atualizado sobre mudanças na regulação da CVM e nas condições macroeconômicas que possam afetar o desempenho dos títulos.

Ao entender cada etapa do processo e os diferenciais de CRI e CRA, você estará mais preparado para aproveitar oportunidades e proteger seu patrimônio com investimentos estruturados e de alta qualidade.

Boa leitura e bons investimentos!

Por Yago Dias

Yago Dias é educador financeiro e criador de conteúdo no tudolivre.org. Por meio de seus artigos, incentiva disciplina financeira, planejamento estruturado e decisões responsáveis para uma relação mais equilibrada com as finanças.